Dr. José Manoel de Moraes

Dr. José Manoel de Moraes

Professor, diretor, inspetor, supervisor pedagógico,
voltado à educação, daqueles tempos;
Advogado dos pobres
Músico, violinista virtuoso,
hábil no violão e piano;
Grande poeta e muito amado;
Autor do Hino à sua querida cidade natal:
Tietê - SP, Brasil.

E, mais do que tudo, meu querido pai.

Ilusão

(Conchas, 14 de julho de 1941)

É noite. Um manto fino de garoa
Cai sobre a terra e rola pela rua.
Tudo é tristonho. A natureza entoa
Um canto que é toda tristeza sua.

Meu pensamento, que é de quem cultua
O belo da tristeza, vaga à toa...
Mas logo se detém a imagem tua
Radiosa surge e pro meu lado voa.

Vejo-te os traços leves e suaves,
Contornos que nos céus somente as vês
Riscam de leve por ordem de Deus.

E quando tento envolver-te em meus braços
Fazendo deles reforçados laços,
Apenas resta o nada aos abraços meus.

Último Sonho

(Presidente Bernardes, 1944)

Há uma ilusão em cada sonho
Há em cada sonho o uma esperança
Que a vida nos leva qual criança,
Que torna feliz um ser tristonho.

Todos têm na vida o seu amor,
Todos têm um sonho que seduz,
Somente o meu sonhar é pranto, é dor
Que o sofrimento em si traduz.

Eu já não mais tenho uma esperança
Nem uma ilusão para sonhar.
Veio o vendaval, foi-se a bonança,
Já não há mais luz pro meu olhar.

Tudo para mim é desventura
Desde o último sonho que sonhei,
Desde o último beijo que lhe dei,
Nesse sonho feito de ternura,

Há porém em tudo um rosário
Feito só de amor, só com ilusão:
São as suas contas meu fadário
A rolar de manso em sua mão.

Prefiro Amar

(Alfredo Marcondes, 24 de fevereiro de 1947)

Omar Khayian, esse oriental esteta
Do pensamento, assim falou: Esquece!
E Guilherme de Almeida, nosso poeta
Ao seu Juca Mulato disse: Esquece!

Mas como pode. Omar, a predileta
Dos seu sonhos sonhares esquecer na prece?
Do seu Juca Mulato, Almeida, a seta
Do amor retiraria se pudesse?

Não creio nas palavras dos seus lábios,
Nas letras que suas penas escreveram,
Embora sejam seus conselhos sábios.

Prefiro amar. Amar perdidamente!
Se pela amada muitos já morreram,
Por certo que morreram docemente.

Os Olhos Meus

(Martinópolis, 24 de maio de 1962)

Meu quarto está tão claro e o coração
Eu sinto estar escuro de saudade
Saudade de você meu amorão,
Amor que foi minha felicidade.

E das crianças, nesta solidão
Me lembro tanto! Quem lembrar não há de?
É o Júnior, é Maísa, também João
É Antônio Aurélio (quanta bela idade!)

Pois é meu bem, o tempo está passando
E sinto-me feliz assim contando
A vocês todos, o que faço e penso.

E, sem querer, pego o paletó
Onde estão manchas, onde existe pó,
E dele levo, aos olhos meus, o lenço.

Hino Oficial de Tietê

(Música do Maestro Italo Izzo)

Tietê, minha terra querida,
Tua vida é a mais bela que ouvi
Teu passado são traços de lenda,
É legenda teu nome Tupi.
Curuçá foste um dia, na história,
E és memória do assalto aos sertões;
No teu rio há lembrança e destino,
Som de sino ao rezar de monções.

Estribilho

"Flumem meum gloriae iter" outrora
Acolhestes bandeiras paulistas.
Tua Porto Geral rememora
em teu rio -
O sabor de tão nobres conquistas
São teus filhos, nos dias de agora
em teu seio -
Lutadores com alma de artistas!

II

Nem senzalas de antigas fazendas!
Nem moendas que o escravo tocou!
Da igrejinha de terra batida,
A sentida lembrança restou!
Hoje a escola passeia entre flores,
Seus amores, à luz do luar.
É o presente feliz e risonho,
Em seu sonho o porvir a saudar.

Estribilho

III

Tua indústria teu porto, promessa
Bem depressa hão de se realizar,
Que o teu "rio mui fundo e corrente"
A semente fará germinar.
Quais bandeiras passadas, teus filhos,
Pelos trilhos das águas irão
Conduzindo com lances de glória,
Tua história, teu lema e brasão!

Estribilho

© 2008 www.marketing-webmaster.com Webmaster | Home Inglês | Home Português | Privacy Policy | Site Map